terça-feira, 29 de setembro de 2015

Rio é história - A praça Mauá

Um dia de ressaca de Rock in Rio, um dia de sol com praias lotadas, um dia de Flamengo e Vasco no Maracanã, com todos esses atrativos, transpor as empoeiradas ruas em obras se tornou um desafio e tudo isso para chegar à inacabada Praça Mauá, acompanhei todas as fases de uma mega obra urbanística que só descortinou o que sempre existiu, história e o mar.

Sempre frequentei a degradada região portuária do Rio e ela tinha um ponto alto (também degradada) a praça Mauá. Trabalhei muito tempo na região, além do garboso RB1 e restaurantes ótimos perdidos pelas vielas, era um lugar de sórdidas boates para marinheiros (ora que região portuária não as tem?) mas basicamente era uma lugar sujo, escuro, perigoso e cheio de história. Sobrou um pier arejado, bem cuidado e policiado com um museu de arte, infra estrutura e um comércio que ainda tenta se organizar para atender a demanda turística em tempos de crise.

Apesar de futuramente continuar sendo o ponto de desembarque de turistas, de ter um moderníssimo sistema de transporte, amplos espaços e um museu dedicado ao futuro, a essência da Praça Mauá continua presa ao passado e há de ficar cego quem não enxergue isso. Foi lá que na antiga praia da Conceição tantos negros chegavam nos abarrotados navios negreiros, os que sobreviviam da viagem eram vendidos no mercado logo ali no cais do Valongo, os que morriam na travessia eram enterrados num cemitério logo ali perto na Igreja de São Francisco da Prainha, perto inclusive da casa dos nobres que viviam na aprazível Gamboa, com suas praias calmas que se encostavam num morro cercado de árvores frondosas. Entre esses nobres, o patriarca da independência José Bonifácio que vivia num lindo palacete que hoje abriga um Centro Cultural esquecido. Outro morador importante foi o Eike Batista de sua época, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, muito bem retratado numa estátua no centro da praça que ganhou o seu nome, a estátua é pequena diante a imensa praça, mas ressalta aos olhos a coluna onde está apoiada, a cara de seu criador Rodolfo Bernardeli, ali perto do cais do Valongo os belíssimos jardins suspensos ficaram esquecidos por décadas, é  um ótimo passeio subir por lá para chegar no centro de geografia do exército que fica no Morro da Conceição, ali se travou uma guerra religiosa  contra os beneditinos que ocupavam o morro em frente no Mosteiro de São Bento. A Pedra do Sal é um capítulo a a parte na cultura nacional com fortes indícios de que ali surgiu o samba, mas depois que os soldados que voltavam da Guerra de Canudos foram ocupando a região e criando a primeira favela do mundo ao lado do primeiro túnel do Rio, a área de porto foi ocupada por armazéns e a região viveu uma forte decadência.
Uma forte tentativa de melhorar o local foi a criação do maior arranha céu do mundo em sua época, o prédio a Noite teve esse status até a inauguração do Empire States, depois seguiu em prol da integração nacional transmitindo dali as ondas de rádio que viriam a tornar aquele tempo conhecido como a Era do Rádio. O prédio pomposo foi do mesmo arquiteto do Copacabana Palace (Joseph Gire).
Em qualquer lugar do mundo o trecho aberto entre o Santo Cristo e a Glória seria por si só a única atração turística que atrairia milhões de pessoas com suas máquinas fotográficas ... todos ávidos por história (que no caso dessa região se mistura entre o período colonial, a inconfidência mineiro a, o comércio escravista, o samba, a chegada da corte portuguesa, o império, os primeiros anos da república, a era Vargas e que descortina, como sua paisagem, num futuro promissor.. cheio de gente passando dando vida a mais um lugar esquecido do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Santiago do Chile 4

Um ótimo passeio em Santiago é conhecer seus Cerros (morros!) eles dão uma outra perspectiva de visão da cidade e são belos parques seguir cedo para o Cerro Santa Lucia, dando uma paradinha na Iglesia de San Francisco que fica perto é uma boa opção, no Santa Lucia é possível conhecer os jardins suspensos e uma linda fonte. De lá siga até a estação Baquedano de metro e lá suba o Ascensor até o Cerro San Cristóbal, lá visite o Zoológico e o Santuário da Imaculada Concepcion. Veja o entardecer do alto do belo Cerro com a cidade aos seus pés e as montanhas ao fundo.
No jantar ... em grande estilo no Azul Profundo, um charme  mas na mesma rua existem outras tantas opções ótimas. 

No dia seguinte se você gostar e esquiar vale a pena pegar um táxi ou seguir por conta própria para o Vale Nevado, porém minha sugestão é ir ao Museu de Ciência e Tecnologia, um passeio completamente imperdível, nos moldes do Citte de Las Sciences de Paris. Lá é possível brincar com experimentos e passamos o dia inteiro como crianças se divertindo pra valer num lugar que não é turístico mas que é divertidíssimo.

Santiago do Chile 3

Em Santiago é bom estar ou no centro ou nos belos bairros de Bellavista ou Providencia (Ibis é uma opção barata! NH suites é um pouco mais caro e melhor). As opções no centro são o RQ Santiago Suites ou o Diego Almagro, ambos na Alameda Libertador Bernardo O'Higgings, ao lado do La Moneda (palácio do governo).

Santiago por ficar espremida entre as montanhas não tem muita circulação de ar e por isso é considerada a capital mais poluída da América do Sul, portanto não se surpreenda se tiver algum problema respiratório por lá, pra completar o clima ainda é seco e no outono o ar fica impregnado de pólen. 

Não se esqueça que como toda grande cidade, Santiago é cheia de batedores de carteiras, desconfie de peruanas "bonitas" muito solícitas em querer conversar.

Se locomover em Santiago de carro é bastante complicado e perde-se muito tempo no transito, logo a melhor opção é caminhar, flanar e ser como um cidadão do mundo. O transporte público é eficiente e organizado, ainda existe a opção de ônibus hop-on hop-off, eu particularmente detesto esse tipo de turistada. Atualmente existe a ótima opção de bicicletas verdes e o local é propício a uma pedalada pois as ruas são tranquilas, o terreno plano.

Para começar vá ao Centro Cultural La Moneda, por tras do Palácio (bombardeado em seu lado esquerdo durante o golpe militar de 1973)você pode ver a ÚNICA estátua de Salvador Allende da cidade, o presidente deposto e assassinato não é uma unanimidade no Chile e a ditadura ainda é um assunto polêmico pois o General Pinochet apesar da truculência, fez grandes avanços econômicos reconhecidos pelos chilenos. Siga a Calle Augustinas até a Ahumada (uma bela rua de pedestres com vários café com pernas no caminho). Eis então que se vê a Plaza de Armas, foco da colonização da cidade, o prédio dos correios era a antiga casa do governador, à esquerda se ergue a linda Catedral de Santiago e seu museu de arte sacra. Ao sair dela vale muito a pena virar a direita na Calle Companhia de Jesus para uma visita ao Museu Chileno de Arte Pre Colombiana. De lá vá tardiamente almoçar no Mercado Municipal (seguindo a via Veintiuno de Mayo), o prato é a Centóia gaste o seu espanhol pois se um dos garçons souber que é brasileiro vai ter que aturar ele cantando "Pense em mim ... chore por mim, liga pra mim não não liga pra ele ... ". Por fim o Museu Nacional de Belas Artes é uma ótima pedida para a digestão.

A noite não deixe de prestar atenção a Torre Entel se sua bela iluminação, pertinho do La Moneda e vá jantar no Pátio Bella Vista e beba um Pisco Sour (viu ... quem disse que lá só tem vinho !)

a seguir
http://encontrandonocaminho.blogspot.com/2015/06/santiago-do-chile-4.html

Santiago do Chile 2 - Valparaiso e Viña del Mar

Como Viña vem a ser uma cidade mais charmosa e moderna que Valparaiso é preferível se hospedar em Viña e conhecer a cidade vizinha usando o transporte público (o metro) é ótimo e vai beirando a costa de forma eficiente.

Valparaiso já foi o mais importante porto do hemisfério sul, uma linda encosta colorida por casas coloridas pela tinta de sobra dos navios, com a abertura do canal do Panamá, o porto entrou em declínio e hoje a cidade vive de turismo e como sede do poder legislativo chileno. Em uma manhã é possível percorrer os principais ascensores da cidade para conhecer a Praça 21 de Maio e o Museu Naval y Marítimo (ascensor Artillería), ambos estão situados no final da praia, em frente ao porto. De lá desça pelo Ascensor  Cordillera e siga até a Calle Serrano que mostra o aspecto da cidade portuária do início do século, essa rua foi palco de um grande incêncio em 2007. Siga até a Plaza Sotomayor e depois suba novamente pelo Ascensor Peral até o Passeo Yugoslavo e se perca pelas ruas do Cerro de Concepcion. Há quem diga que vale a pena visitar La Sebastiana, casa de Pablo Neruda na cidade, porém já é tempo de acabar com esse sobe e desce e ir para a bela vizinha Viña del Mar.

O melhor de Viña é passear pela orla, seguir até o famoso relógio de flores, o cassino e o Castelo Wulff, dá para fazer isso num final de tarde, sempre com atenção aos leões marinhos que vira e mexe aparecem na costa, siga pela marina e aproveito o centro da cidade e seus bons restaurantes. No dia seguinte comece com um rápido passeio pela Quinta Vergara, o estádio Salsalito, onde Garrincha fez chover, se não for à Ilha de Pascoa, não deixe de passar no Museu de Arqueologia Francisco Fonck para ver um Moai original e siga para o litoral norte em direção as belíssimas praias de Renaca, Concon, Zapallar e Paludo ... é longe mas vale a pena !!

a seguir
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Chile - dicas importantes

Dicas importantes:

Como ir : Dos grandes centros como Rio e São Paulo partem vôos regulares com duração de cerca de 4 horas sobrevoando lindos campos na Argentina e a Cordilheira dos Andes. TAM / LAN Chile / Gol

Como se locomover lá : Costuma-se dizer que o Chile é um país de primeira ... não só pelas boas estradas, mas porque se engatarmos a segunda é arriscado sair dos Andes e cair no mar.  Logo um carro é ótima opção.

Quando ir: em teoria durante todo o ano, porém regiões específicas no estremo sul ou no Atacama podem ter restrições severas no inverno e verão, a região de Bio Bio é muito chuvosa, logo as estações intermediárias de primavera e outono acabam sendo as melhores, a não ser que se queira ir esquiar em Vale Nevado, que tem que ser no inverno mesmo, aliás ... o aquecimento global anda deixando a região com baixa de neve e limitando a temporada de sky, se o objetivo for esquiar é bom consultar sites especializados antes.

Comendo e bebendo no Chile: com um litoral imenso é possível aproveitar os pescados e frutos do mar no Chile, desde uma centóia no Mercado Municipal de Santiago até um Chupe que é uma espécie de caldeirada, existem assados como Lomo a lo pobre que se parece com o bife a cavalo. Os vinhos do vale central além de famosos e baratos, prefira o Carmenere que é uma casta extinta na França no século XIX e que reapareceu no Chile em 1994. Não deixe de beber um Mote con Huesillos que é uma bebida com base no pêssego servida gelada. E se for na região de Valdívia atenção que é uma das principais regiões do mundo em cervejarias artesanais.

Moeda : um real vale cerca de 230 pesos chilenos porém ainda assim é possível aproveitar muito as compras.

Cultura: as artes pré colombianas são destaque e podem ser vistas no Museu de Arte Pre Colombiana. O Chile é conhecido como o país dos poetas, com 2 prêmios Nobel de literatura e um habito de leitura propagado pela população.


A seguir:
http://encontrandonocaminho.blogspot.com/2015/06/santiago-do-chile-1-pirque-e-andes.html

Chile - muito mais que beber vinho

Santiago é uma cidade organizada, é o símbolo de um país sensacional, uma ilha separada do resto do mundo por um oceano longínquo, por uma região polar, por um deserto e pelos Andes. Um país longitudinal que tem vários, climas, biomas e até a ilha mais remota do mundo. É certo que para se chegar à Ilha de Páscoa é melhor sair a partir do Peru, que a Argentina também é tão longitudinal e tem bons vinhos quanto o Chile. Porém o Chile é meio que diferente de tudo, em sua volta, é um país moderno, com lindas paisagens naturais e com um povo digno, nacionalista e educado.
O Chile é um país que sofreu uma colonização um pouco diferenciada em relação ao resto da tropical américa latina e foi deixado de lado quando os espanhóis acharam no meio do caminho o áureo altiplano peruano o lugar ideal para explorar e aí ... pararam por lá, se descessem mais se perderiam no Deserto de Atacama. Aí o Chile ficou meio perdido no mundo até 1540, se não fosse a bravura de desbravadores como Diego de Almagro e Pedro de Valdívia seria um pedaço de terra perdido entre barreiras naturais intransponíveis.
Essa diferença de climas e biomas nos dá uma gama enorme de coisa interessantes pra se ver no Chile, por exemplo :

Deserto de Atacama - o mais alto e mais seco do mundo, além de salares, o Vale do Luar tem uma paisagem que lembra a lunar. Na região existem pinturas rupestres famosas como o Gigante do Atacama, pintado na encosta de uma montanha.
Ilha de Páscoa com suas fauna e flora diferenciadas por um processo de evolução natural bem peculiar.
Região de Pucon - o magnífico vulcão Villarica
Litoral Pacífico - lindas praias de Colcon, Papudo e Zapallar.

Região metropolitana de Santiago - além da capital, lugarejos lindos como Pirque,  San Jose de Maipo e Baños Morales
Vale Central - Rota do Vinho de Colchagua e a maior mina de cobre do mundo, Sewell.
Bio Bio - uma região úmida mas de fauna e flora exuberantes.
Valle Nevado e Portillo - ideais para esquiar.
Parque Nacional Lauca - com seus lagos e vulcões, como o parinacota.
Torres del Paine no extremo sul, glaciares e lindas rochas que são um prato cheio para montanhistas numa reserva da biosfera da UNESCO.
Puerto Montt parte dos lagos andinos na fronteira com a Argentina.

A seguir
http://encontrandonocaminho.blogspot.com/2015/06/chile-dicas-importantes.html

Santiago do Chile 1 - Pirque e Andes

Conhecer Santiago é muito mais que visitar uma grande capital sulamericana, Santiago foi fruto de um colonização sofrida de exploradores espanhóis que perderam espaço no Peru e resolveram descer o deserto de Atacama em busca do eldorado. O foco de colonização se localiza urbanisticamente como em qualquer cidade espanhola numa Plaza de Armas que sofreu cercos de índios, racionamento de água e alimentos, foi incendiada diversas vezes mas que sobreviveu até os dias de hoje com sua belíssima catedral, prefeitura e ... a praça, mas o ideal é não começar por aí pois os arredores de Santiago tem muito a oferecer.

Chegando no belo aeroporto Arturo Merino Rodrigues o ideal é pegar um carro e seguir a Autopista Vespucio Norte e depois a Vespucio sul, em 40 minutos chegamos em Pirque onde se pode conhecer a vinicula Concha y Toro e se embebedar sem receio pois a idéia é se hospedar numa belíssima Casa de Campo dentro de uma plantação de trigo, salpicada com lindas Macieiras e Cerejeiras, o El Magnolio tem simplicidade e charme que não se encontra em hotel algum, para o jantar La Vaquita Echa, bem perto da pousada é dito como o melhor restaurante chileno, preço justo e um assado maravilhoso, sempre acompanhado de um bom vinho, uma noite tranquila aquecida pela lareira e acordar abrir a janela e ver a plantação de trigo no sopé das montanhas é algo inspirador. O café da manhã de uma casa de campo já é bom mas em companhia de Marie Hern, uma anfitriã graciosa e inteligente com uma vida muito interessante nos faz ter certeza da nossa opção entre a frieza de um hotel e a candura de uma casa de campo. 

Pela manhã, nada melhor que um passeio até San Jose de Maipo que é um lugarejo belo e em seguida passear pelos Andes, indo em direção Refúgio Valdez e a estação de esqui desativada de Baños Morales, em meio a montanhas gigantescas é possível parar o carro para fotos e explorar glaciares, cachoeiras e brincar na neve.

O Chile é tão estreito que é possível brincar na neve as 11:00 e colocar o pé no Oceano Pacífico as 16:00 e é em direção ao mar que vamos por lindas estradas para Viña del Mar e Valparaiso.

A seguir
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Espanha parte 1

Bem ... e o que é a Espanha ? Ficam no meio entre a frieza francesa, e o sentimentalismo italiano. Talvez até como  instinto de sobrevivencia criou uma especie de egocentrismo, mas na verdade ela fii realme te o centro do mundo por um bom tempo. Há muito o que se pensar sobre a sociedade espanhola, um retalho de povos feudais que se uniu mas nem tanto.... um império que dominou o mundo mas que sucumbiu e que hoje produz pouco, importa muito e que mantém um grande padrão de vida que pode inspirar qualquer umas das suas ex-colônias. Suas ex-colônias também tem muito para ensinar à sua metrópole, pois sempre estiveram acostumados a viver longas crises como é essa que a Espanha vive hoje.
Embarcar para a Espanha em 2014 me traz um misto de curiosidade e encantamento, um país velho, carregado de dogmas arcaicos que se encontra dividido como sempre, e que vive um pleno processo de transformação.
Para muitos  e um país completamebte desenvolvido sendo parte do primeiro mundo, eu continuo pensando que ele.entrou nesse.circo pelas.portas dos fundos e por isso foi pego numa crise economica extrema com alarmantes taxas de 20% de deseprego. Continua sendo um pais foco de terrorismo, apesar da abertura ao dialogo feita pelo governo ter desarticulado o braço armado do ETA, ainda existe a AlQaeda e o Estado Islamico e sua voracidade escondida.
Hoje o pais basco quer separaçao, a catalunha quer separaçao e um plebiscito esta em discussão, o pais remexe o caldeirao dos crimes da guerra civil e do periodo franquista, sim a Espanha ferve.

domingo, 21 de setembro de 2014

Espanha - história 1

Os Pirineus deixaram a península ibérica separada de toda a Europa durante toda a pré história, isso porém não afastou a região de ter sido berço de diversos importantes achados pré-históricos, desde pinturas rupestres até um minguado desenvolvimento de agricultura em cerca de 7.000 a.c. Daí vieram a Idade do Cobre e do Bronze, em 1.000 a.c. tartessos ocupam importantes locais da região, 
celtas vem do norte, povos autóctones conhecidos como íberos misturam-se criando povoados cetilberos, mas suas culturas são dominadas nessa região pela chegada dos romanos em cerca de 700 a.c. 
A partir do século X a.c. , fenícios, gregos e cartagineses colonizaram postos comerciais ao longo de toda a península , houve então a introdução da metalurgia e uso do ferro e .... ainda bem, a produção de azeite e vinho. Seguida de "coisas menos importantes" como a forma de escrita ibérica !
A partir de 194 a.c. os romanos entram com tudo na região para taticamente isolar cartagineses  durante a guerra púnica, apesar da resistência lusitana a ocupação durou 600 anos e o legado deixado é uma organização urbana nos moldes romanos, a influência do latim, olarias, minas e tecelagem e o nome Hispânia (Ibéria). No declínio romano, povos bárbaros como os Visigodos entram na região estabelecendo uma ocupação urbana em Toledo, aí outra influência romana já estava enraizada, o catolicismo!
Igrejas como a San Cugat del Vallés em Barcelona, Santa María de Melque em Toledo e Cabeza de Griego em Cuenca são mostras da arquitetura Visigoda, plantas cruciformes, arcos em forma de fechadura, abóbadas com cúpulas, blocos alternados de tijolos e decoração com motivos vegetais e animais.
Em 710 o Rei Visigodo morreu e duas facções brigaram pelo trono, uma dessas facções solicitou apoio ao governador muçulmano do norte da África abrindo-lhe as portas de Ceuta para uma expedição militar, a idéia de proteção era baseada no fato de que judeus vinham sendo perseguidos na região com batismo compulsório e pela xária (lei islâmica) é obrigação do muçulmano defender os adeptos do livro (judeus e cristão). Estava lançada a sorte para os povos hispanicos, apesar de focos de resistência visigoda nas Asstúrias, a invasão muçulmana durou cerca de 800 anos se estabelecendo em Córdoba. 






 

domingo, 22 de junho de 2014

Viajante

Ser um viajante é algo como uma cultura de respirar outros ares, um viajante promove encontros de si com o mundo e daí com outras pessoas, lugares, nações. Um viajante cruza fronteiras e desbrava o planeta, pode ser na esquina de casa ou no continente Antártico. 
Muito mais que um turista, o viajante tem na viagem a filosofia de sua vida, o caminhar dos passos apertados para se deslumbrar e as vezes simplesmente parar para contemplar uma praça, um jardim, um gesto ou uma pessoa. Ou seja, qualquer coisa que seja muito diferente de um ponto turístico em geral, um viajante é sedento em cultura, curioso em descobrir e depois contar histórias e continuar vivendo sua viagem por muitos e muitos anos. E entenda-se cultura até como uma bela paisagem!
Nessa cultura, quase que mochileira vale aproveitar tudo com instinto descolado de luxos com percepção correta de consumo para passar despercebido no plano material e nem passar por estrangeiro, ou simplesmente de querer ser diferente da cultura local sendo tão simples quanto o que não o é no dia a dia. O  viajante prefere ser confundido com o povo local, pois só assim terá a impressão de ter vivido dias como alguém diferente, num estilo de vida diferente, comendo uma comida diferente e vendo a vida de outro ângulo, vivendo sua viagem e não só passeando por sua vida. Experimentar, é parte da compreensão que podemos adquirir na vida. É uma forma de sermos mais elevados aos conceitos de igualdade humanitária, conhecer é o início do caminho para se quebrar preconceitos, superar limites, expandir horizontes. Um viajante que vai nunca é o mesmo que volta!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mezzogiorno

Gosto de restaurantes onde sou recebido como membro da família, onde a comida é boa e farta, onde é possível ser recebido com o sorriso sincero pelo garçom, gerente, dono e cozinheiro. Se eu puxar da memória, foi assim, nas inúmeras vezes que fui ao Mezzo.  Lá, o sorriso é sincero e acolhedor e com essa atmosfera, o nosso próprio riso vem fácil, gerando então uma ótima oportunidade de viver e ser feliz.

Não lembro ao certo quantas vezes estive lá e nem desde quando, o certo é que seja a mais de 10 anos, e já estive nas mais diversas situações, em almoço de negócios, trabalhando com o laptop do lado, pensando na vida, sofrendo com a vida, celebrando com amigos do trabalho, comemorando aniversários, flanando pelo incrível centro histórico do Rio, com namoradas e sempre buscando novas, e boas experiências. Experiências essas, que são dignas de compartilhar, sempre que tenho um novo amigo, um novo amor, um novo colega de trabalho, "estreio" o Mezzogiorno. Lá o riso vem fácil, a conversa flui porque não estamos preocupados se a comida está boa ou se a conta estará errada, lá a descontração é tudo podemos viver e não se preocupar com o resto. É claro que já vi falhas no atendimento, mas a atmosfera acolhedora do pessoal da casa, nos dá a sensação de que estamos em casa, ou na casa de um parente.

O Mezzogiorno fica no segundo andar de um belo sobrado na Rua do Mercado, 51. Um autentico quadro negro na porta indica a entrada (escondida), já temi que o prédio desabasse, mas se durante esse tempo todo não ocorreu, não creio que esse seja o meu destino, até porque, ao longo desse tempo de cliente algumas obras melhoraram o local.... Uma austera escada de madeira, dá acesso ao segundo andar sempre com um ar condicionando amenizando o clima do centro do Rio, das janelas, a bela visão do Centro Cultural dos Correios, toalhas bem postadas, numa sacadinha cenográfica no fundo e uma bela visão da cozinha compõe o cenário. Treliças dividem alguns espaços, tornando-o uma pouco mais aconchegante, acolhedor e porque não dizer ... discreto! Ambiente propício até para um encontro amoroso extra oficial.....

Encravado no "centro cultural histórico do Rio" foi ali perto que se instalou a Família Real, que o Porto agitou a cidade, que a sede religiosa da cidade ditava os costumes, que o Senado se rendia aos dissabores da política. A boa opção de passeio ao Mezzo inclui sempre uma visita ao Centro Cultural dos Correios, do Banco do Brasil ou à Casa França Brasil. Almoçar, flanando pela cidade pode ser a melhor forma de se aproveitar o almoço. O restaurante nos dá a opção de viver bons momentos, e se puder dar uma esticadinha neles ....

O preço e a comida são pontos fundamentais ... você vai gastar um pouco acima de um almoço normal, mas não será um almoço normal! É um lugar para se frequentar em ocasiões especiais, considere gastar (a preços de janeiro de 2014), uns R$ 60,00 entre entrada, prato de massa, sobremesa e café. A massa é o carro chefe da casa, e apesar da culinária italiana, nos trouxer um extenso leque de opções, se concentre na massa pois as chances de sucesso são maiores. Dizem que o couvert é opcional, lá deveria ser instituído como obrigatório pois a compota de berinjela, os pães com calabresa, a sardela e até o bom e velho pão com manteiga são sensacionais. O nhoque de aipim é tudo de bom e os molhos ao pesto, ao sugo e alla calabresa são formidáveis. Certa vez comi um honesto spaghetti alla carbonara com um amigo que, constrangido pediu um pouco de molho ao pesto com nozes para molhar o pão!

 Como é um lugar para se sentir bem e comer bem, não se prenda em dietas ou outros limitadores do prazer. Coma uma sobremesa, ou reserve espaço para o capuccino, biscoitos e creme vão compor a bebida que nos faz descer dos céus depois de uma bela refeição.





quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O melhor churros do Brasil

Muitos da minha geração devem lembrar do antológico Churros del Uruguay um ônibus bonito e pomposo que ficava perto da Praça do Ó na Barra, naqueles tempos era uma das poucas coisas que se tinha naquele canto da cidade que ainda era composto de muito mato e a lindíssima praia. Não lembro bem do sabor da iguaria, mas para fazer meu pai sair da Tijuca pelo alto da Boas Vista num Fusca, provavelmente o negócio era bom. 
Anos e anos se passaram e o ônibus foi ficando meio depredado, em meados dos anos 90 ainda era possível comer o churros, autêntico, caro e com sotaque. O Barra Shopping começou a animar a região, as noites ficaram mais perigosas para programas ao ar livre e então .... o ônibus sumiu ! Milhares de carrocinhas de churros se espalharam pelos cantos do Rio de Janeiro.

Bom ou não, o que eu sei é que fui na fonte para tentar conhecer o lado uruguaio da coisa e numa viagem a Colônia do Sacramento no Uruguay e fiz questão de comer o Churros da Madalena na Playa de Los Verdes. Madalena é uma moça nova, bem vistosa e que faz ponto em frente a um camping. Ela vende 12 churros bem finos e crocantes e com um doce de leite maravilhoso, não lembro de ter canela em pó e nem se o doce compunha o recheio ou se vinha por fora da massa. Só lembro do sabor inigualável. Expliquei a ela que o churros uruguaio era famoso no Brasil e elegi naquele momento o churros dela como o melhor do mundo! Palavra de quem entende do assunto!

Devido a distância absurda entre nossa cidade tropical e o sub temperado Uruguai fiz uma pesquisa aqui por alguns longos anos para descobrir um churros de qualidade (que não venha pingando em gordura, com recheio nem de mais, nem de menos), eis que conheci o Churros do Ferreira em Botafogo (fica na saída Voluntários da Pátria do metro). Boa massa, sempre quente e crocante, recheios que provei e aprovei foram de goiaba e doce de leite. o Atendimento tem requinte e bom papo e ainda rola um granulado de chocolate ou coco por fora! Sim descobri e apesar de não chegar aos pés da Madalena é o churros honesto (de R$2,00) mais badalado do Brasil ! E tenho o dito!!!

domingo, 10 de novembro de 2013

As cachoeiras da Pedra Branca

Muita gente torce o nariz para a zona oeste do Rio, muitos da zona oeste se dizem morar na zona sul, grande balela sócio-geográfica existem lugares lindos e históricos em todos os cantos dessa nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Existe pelas bandas da zona oeste um parque pouco conhecido pelos habitantes locais e que vem a ser a maior reserva florestal em área urbana no mundo. Mata atlântica na veia, ar puro nos pulmões e belezas raras para os olhos.
Resolvi explorar a região (que é imensa e esparsa) e logo na primeira incursão me deparei com lindas cachoeiras e trilhas sensacionais para quem esta de carro por perto de Vargem Grande ... ok ok Chegar em Vargem é longe, pega um transito monstro.... mas tudo isso se compensa.
Achei tudo meio que pelo tato e acredito que exista uma entrada oficial do Parque da Pedra Branca via Jacarepaguá (Taquara), eu fui por Vargem Grande seguindo a Av. dos Bandeirantes direto, depois do Rio Water Planet entrei numa estrada a direita (Estrada do Pacuí) e fui seguindo, aos poucos fui percebendo que estava entrando na mata, perguntei pra uns moradores pela entrada do parque e eles me indicaram que não havia entrada, mas tinham 3 cachoeiras. Fui em 2, veja no Googlemaps a partir do Riocentro:

https://maps.google.com/maps?saddr=Riocentro,+Avenida+Salvador+Allende,+6555+-+Barra+da+Tijuca,+Rio+de+Janeiro+-+RJ,+22780-160,+Brasil&daddr=Estrada+Mucu%C3%ADba,+Rio+de+Janeiro,+Rep%C3%BAblica+Federativa+do+Brasil&hl=pt-BR&ie=UTF8&ll=-22.963787,-43.482707&spn=0.012447,0.026157&sll=-22.971364,-43.491408&sspn=0.006223,0.013078&geocode=FXxdof4djpBp_SlXuunoitybADGEgfBiVmsOMg%3BFSKdof4d0WZo_Sm9f7Jae-ebADE3sgfSAArfBg&oq=estrada+mucu+de+Janeiro,+Rep%C3%BAblica+Federativa+do+Brasil&t=h&mra=ls&z=16

Perguntar é fundamental, eu consegui parar o carro bem perto da cachoeira e a caminhada foi leve, porém da próxima vez vou aproveitar a caminhada, existe uma primeira cachoeira com um poço gostoso de mergulhar, seguindo a trilha do lado esquerdo do rio a gente anda uns 10 minutos, atravessa do rio, passa por uma casa abandonada e chega na segunda cachoeira. A terceira cachoeira, disseram que já seria mais complicado, eu tava sozinho no dia e achei melhor não me aventurar muito na mata.... ficou para uma próxima incursão!!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Santa Teresa

Por quantas vezes não chorei por tuas vielas
Exclusividade que não é só sua mas de uma cidade inteira
Lágrimas em cada esquina
Tristeza ligeira
Até que tu me abrigou
Em seu seio macio
Entre as portas que não se fecham
Entre a arte e a graciosidade
De cidade do interior
Por vezes me fez sorrir
Por outras me fez chorar
Mesmo quando a alegria
Pedia para entrar
Tinha que subir ladeiras
Ver o mundo de longe
Fugir para me abrigar

sábado, 17 de agosto de 2013

Viver na bela caminhada

Quero tirar o peso das minhas costas
Quero levar pouca coisa na empreitada
Trazer muita coisa da caminhada
Quero viajar sem pressa
Seguir leve pela vida
Fazer cumprir toda a promessa
Quero dar mais vida a minha ida
Ter mais encanto à minha volta
E dar valor ao que interessa

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Um Rio pré JMJ

Sim, a cidade já respira os bons ares da Jornada Mundial da Juventude, desde o início do mês já tem muito turista perdido por aí, mas são turistas diferentes, são animados, simples e sempre sorridentes. Não se assustam quando se perdem e perguntam pra qualquer um na rua. Em geral turistas trazem dinheiro, deixam sorrisos e levam boas lembranças, nesse caso é diferente, parece que trazem fé, alegria e paz ... que sejam bem vindos e que consigam levar tudo que trazem, mas em dobro para distribuir por esse mundo afora.
Que possamos ser exemplo para o mundo por ser um país de paz e confreternização que possa existir a liberdade de religião, e a fraternidade entre elas. Que a simplicidade do Papa que chega possa comover em oração todos aqueles que levantam a sua pedra, que saqueiam o bolso do povo trabalhador e que governam a todos. Isso só vira utopia quando se deixa de ter fé. Mas o Rio hoje respira fé, que ela venha então trazendo sabores de congregação.

Para o evento em específico casas servindo de abrigo, famílias abrindo o seu lar, simplicidade como quer o Santo Padre mas tudo coberto de muita alegria e gratidão, é evento onde os pontos turísticos serão os templos de fé e a seguir posso sugerir alguns:

Cristo Redentor - antes de ser o principal ponto turístico da cidade o Cristo é uma igreja a céu aberto, a mais linda do mundo.

Igreja de São Judas Tadeu - no Cosme Velho, pertinho do bonde para o Cristo, simples porém profunda.

Pelo Centro da Cidade vale uma peregrinação em praticamente todas as igrejas com um pouco de atenção maior a essas:

Igreja de São José
Nossa Senhora da Candelária 
Mosteiro de São Bento 
Mosteiro de Santo Antônio 
Lampadácia.
Ordem Terceira de Nossa Senhora do carmos
Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
Santa Cruz dos Militares
Nossa Senhora Mãe dos Homens
Nossa Senhora da Lapa dos Pescadores
São Francisdo de Paula
 





   

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Lugares que me habitam - Pajelança

Encontro Flávio Máximo pelos corredores do trabalho, e depois de tanto tempo, ao longe são pronunciadas palavras de carinho que só os amigos compreendem (fala FDP!), por fim escuto um "partiu pajelança!", soou diferente de um "partiu BS" do Vanderlei, ou uma convocação para o Russão de Anderson Rigas, nada contra um banho de sangue ou um almoço a caminhada, mas aquelas palavras nos remetiam a um passado, um passado que voltava agora em minha cabeça, um filme que tinha um véu obscurecendo-o parece límpido. A princípio abri um sorriso, mas aos poucos fui me dando conta dos vários compromissos das vida que fazem tomar outros rumos nos almoços, é não dava, tinha outros planos para o dia de hoje. 
O Pajé é um restaurante de comida honesta e popular que eu tanto gosto no centro do Rio, as memórias desse lugar, por vezes me levam as lágrimas, por lembrar de um passado tão glorioso de tempos e pessoas que passaram por nossa vida e que esquentaram a barriga no balcão do Pajé. A hora do almoço chega eu eu preso a um conference call (como no passado, como sempre !). Tudo termina e uma coincidência me leva a consertar meu relógio lá pelos lados da Presidente Vargas, altura do Banco Central. Ali revejo o meu passado, o lugar onde assinei o contrato de compra do primeiro imóvel, o primeiro emprego, anos virando noites nos suportes. Lembro de Eugênio Ronaldo Alves seu sorriso, andando apressado em direção ao Pajé e colocando a camisa (e a barriga!) pra dentro da calça, pequenas lágrimas começam a rolar mas logo viram um sorriso, depois de 10 anos, o Pajé continua sendo um restaurante onde você é recebido com abraços, sorrisos, um lugar onde o seu prato preferido é de conhecimento do garçom e lhe é oferecido sem que esteja no cardápio, é onde sou tratado como um rei, ou simplesmente como um amigo. 
Chego, passo direto pelo "bunda de fora" do térreo, o dia é de rasgar planos, reencontrar o passado, é um dia especial, como tantos outros naquele salão do segundo andar, o cheiro de mofo sumiu, a foto do Pajé também, no lugar pinturas e cartazes de filme antigos. As pessoas na mesa ao lado fazem HUMMM ao comer, por diversas vezes escuto "delicioso" no salão. Sim, o tempo não levou tudo... ainda não! O garçom larga tudo para me servir, sorriso estampado no rosto, perguntou sobre a vida e a namorada (levei algumas lá !), reclamei pelo Filet a Forrestier e ele retrucou que fazia pra mim. Ataquei de picanha suína com farofa brasileira, essa não chega nem aos pés da farofa do mítico Choperia do Papai (outra história, outro texto..), contudo nada a reclamar, nem a falta do creme para acompanhar a banana flambada (sempre foi o grand finale para as namoradas) e o café. A tempos a leiteria que fornecia tal creme fechou suas portas. Preço para um almoço pra um que serve dois ... R$ 40,00
Não sei se foi efeito da bebida que flambou as bananas, mas depois de um almoço nesse estilo e cheio de sabores especiais, até vi poesia no bailar dos papéis que caiam das janelas da Avenida Presidente Vargas, era como se Eugênio Ronaldo Alves saísse das nuvens onde mora, para brincar com o mundo e com o passado.

Restaurante Pajé - Rua Teófilo Otoni, 190 
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Novo conceito de aeroportos

Chego apressado para uma viagem rápida à Campinas. Antes disso passo numa sala VIP velha conhecida minha para uma massagem e um bom dia da tia que serve o café e cuida muito bem de mim, numa conversa passada ela se ofereceu para fazer uma faxina na minha casa e tenho que contar as últimas novidades de falar que não preciso, bato um papo, tomo um café e quando estou me preparando para a meia hora de atraso no portão de embarque bum! Caí a luz do aeroporto, e aqui cabe um longo parênteses (o aeroporto Santos Dumont foi um dos primeiros do país, já foi especializado em hidro aviões, simplesmente uma jóia rara no Rio de Janeiro, bem localizado, é parte do cartão postal da cidade, mas é velho, desorganizado e já pegou fogo duas vezes, costumo dizer que é o Maracanã dos aeroportos e que deveria cumprir um papel mais simplório na vasta malha aérea que o país demanda). 

Por incrível que pareça, o atraso é o menor dos últimos tempos e mesmo sem luz tudo funciona (tirando a esteira de bagagens que causa um pequeno atraso na decolagem), lembro temeroso do dia que minha bagagem extraviou e que hoje a menina da cia aérea não não tinha trava para a minha. Enfim, é nesse clima que estamos organizando eventos importantes já começando no mês que vem com o encontro da juventude com o Papa e a Copa das Confederações. 
 
Chego em Campinas e o clima em Viracopos é outro, longe da pessoalidade do doméstico Santos Dumont, aqui se prepara o aeroporto para ser um dos maiores do país com uma expansão de terminais de cargas e pessoas, tudo construído para seguir padrões internacionais de segurança e conforto, mas o que vemos são diversos problemas de segurança nas obras e se o banheiro é todo cheio de sensores de presença onde não de precisa tocar em nada, o número de mictórios é irrisório para um lugar de grande público e as filas pro xixi da chegada é imenso, não tem como não pensar como seria o banheiro das meninas (mais demoradas e singelas). Não tem como não pensar na Copa que terá Campinas como uma sub-sede importante. 
O fato é que tanto num conceito mais antigo, quanto num novo, o Brasil ainda não está nem perto do que um aeroporto deve ser, grande aeroportos da Europa e dos Estados Unidos tem que aliar fácil acesso, com segurança, rapidez, fluidez de espaços e um verdadeiro centro de entreterimento e compras. Hoje 30% da renda do Charles de Gaule vem das vendas do seu shopping que pretende ser uma sucursal da Champs Elysée com grandes marcas, a entrada de luz natural gera economia de energia e um bem estar no caminhar. Todo o projeto arquitetônico visa dar prazer aos transeuntes e funcionar fosse o último monumento a ser visitado em Paris, a última compra, o último suspiro na cidade luz. Tudo cercado por um aparato se segurança moderno, discreto e eficiente. chegam ao ponto de colocar painéis com a duração do percurso entre uma determinada loja e o respectivo portão de embarque só para os transeuntes saberem quanto tempo ainda tem para fazer uma última comprinha.
 Tudo bem que o Santos Dumont fica no centro do Rio e existe um plano de ter metro e trem bala em Viracopos mas hoje nenhum grande aeroporto do país tem um sistema de escoamento de passageiros eficientes ao passo que qualquer outro grande aeroporto ao redor do mundo prima por isso. O Brasil é o país da vez, tem que melhorar tarifas, otimizar a malha e atender a demanda de crescimento do setor mas tem que fazer isso pensando no legado que deixará para os próximos 20 ou 30 anos quando não seremos mais o país da hora. Aeroportos eficientes, sustentáveis e modernos  deverão ser parte desse cenário e não podem ser feitos com a "modernização tupiniquim" feita às pressas para fugir de um processo licitatório dentro da lei !

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Viajar para marcar território fotografar para esquecer do tempo.

Uma das coisas mais marcantes dos tempos modernos é que o poder aquisitivo das classes médias e altas tem aumentado de forma consistente, a reboque disso tudo aumenta-se o poder aquisitivo e a terrível ambição por status, viajar é bom e provavelmente se você veio a este site é porque gosta de fazer isso, sim tem gente que gosta, mas há que se respeitar aqueles que não gostam de deixar o seu lar. (meu pai costumava dizer que Parati era um lugar horrível, cheia de prédios velhos, é a opinião dele!). Aqueles que autenticamente são caseiros e não se envolvem na moda de dizer que se vive para viajar podem viajar num livro, ou não gostar de aventura ou sei lá, se sentem felizes e realizados em casa. Existem viagens legais, pessoas que sabem o que conhecer, existem as outras que marcam ponto num lugar, só pra dizer que já foi, só pelo status de se dizer viajante. Existem os viajantes de aeroporto ou o de hotéis 5 estrelas, existe espaço para todos.

Mas para mim, viajar é viver toda a experiência, curtir cada momento pensando que não esta em sua casa. Desde o momento em que se decide pela viagem, até a última foto arrumada no 
álbum. Opa, não tem mais álbum de foto? Ah mas com certeza você arruma as fotos que tirou, revê momentos marcantes dos lugares onde esteve ... não ? Hum estranho, porque tirou tantas fotos então ? Não vê as fotos do casamento nem a filmagem do nascimento dos filhos e dos exames de pré-natal?

Isso porque ocorre um outro fenômeno com o advento da fotografia digital, que é o imediatismo da foto,vivenciar, por meio da foto, a experiência do presente, ainda no presente. A nova curtição da foto é ser postada numa rede social para o imediato comentário dos amigos. 

Porque tanta gente se acotovela para tirar uma foto da conhecidíssima Mona Lisa no Louvre. Toda a foto tirada naquele tumulto fica mal tirada e é uma foto completamente desnecessária pois você a encontra em qualquer lugar, mas aquela foto marca um território para você poder dizer ... eu estive em Paris, eu vi um quadro pequenininho, feio, mas intrigante e famoso, não sei nada dele mas estive lá. 
Sala da Mona Lisa no Louvre, o silêncio e a contemplação deram lugar a histeria coletiva



Clicar uma foto passou a ser compulsão, tem criança em teatro infantil mais preocupada em tirar uma foto que nunca vai ver do que em vivenciar a história que é contada, a compulsão virou falta de respeito, as vezes cansa você não poder tocar no copo para beber porque a foto do mesmo tem que ir imediatamente para o Instagram. 

Existe muito narcisismo barato nessa tônica, são milhares de fotógrafos amadores que ao invés de pensar em luz, ângulos, tiram uma foto com boa sorte e bom gosto e que aí pensam que são tão bons quantos os profissionais que escrevem uma história com a luz e que criam obras de arte com ângulos imperfeitos. Existem aqueles que querem ser parte da paisagem, veja bem nada de errado e crítico nessa nova forma de se viver, estamos todos virando meio japoneses que nas suas férias viajam o mundo fotografando tudo e todos, para vivenciar o momento depois quando for ver a foto. O meu maior questionamento é que dificilmente vejo as pessoas apreciando suas milhares de fotos e revivendo aquele momento, que se passou. 

 O fenômeno de quantidade de registros também é algo novo e passível de crítica pois a quantidade excessiva de imagens banaliza o cenário e anula qualquer coisa na nossa memória, quanto mais fotos, menos sentidos elas fazem. É fácil perceber isso quando puxamos da memória aquele momento do passado em que registramos numa máquina de filme uma determinada coisa, lembrou ? Sim né ! Agora tente lembra de uma foto específica que você tirou na semana passada com o seu celular ... esqueceu né? Ao passo que se fotografava no passado para guardar uma lembrança, hoje se fotografa para se habilitar um esquecimento.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Rio é história - das invasões francesas aos governos militares o Brasil passou por aqui - Parte 3

Seguindo nosso passeio pelos cantos históricos do Rio, o caminhar pelo centro do Rio é cheio de surpresas, inclusive para os milhões de cariocas que transitam todo o dia pela região ...
 
Cinelândia - praça que tem seu nome associado aos luxuosos cinemas de outrora (Odeon, Cineac Trianon, Parisiense, Império, Pathé, Capitólio, Rex, Rivoli, Vitória, Palácio, Metro e Plaza), possivelmente é um exemplar único no mundo de uma única praça com tantos atrativos culturais, em volta, fora os cinemas, que atualmente são poucos, e que deram o nome ao lugar. Um empresário espanhol, dono de cassinos e boates queria criar ali, na década de 30, uma especie de Time Square tropical, o empresário Francisco Serrador dá nome a um dos mais belos prédios da praça, além desse prédio existia ali, o Palácio Monroe, em estilo eclético e concebido para a Feira Universal de Saint Louis e era feito numa estrutura de ferro que permitia que fosse desmontado para posterior montagem no Brasil, isso foi feito, em 1906 e a premiadíssima obra arquitetônica foi remontada de frente pro mar no final da Cinelêndia. Mesmo sendo modular, na década de 70 por conta da passagem do metro, o palácio veio abaixo numa briga política que envolveu o governo militar querendo abrir visão para o monumento dos mortos da segunda guerra e literalmente, demolir o antigo senado.

No meio da praça existe um monumento de 1910, dedicado a Marechal Floriano Peixoto (o nome original da praça), fundida em Paris e retrata momentos importantes da nossa história: 1500, 1822, 1888, 1889 e sugerem o ideal positivista, isso fez a praça se tornar um foco do Ecletismo no Brasil. Além da praça em si temos:


Museu Nacional de Belas Artes - construído em 1908 para abrigar a renomada Escola de Artes, em 1934 virou museu, tem um acervo belíssimo que merece a visita. O prédio seguia as linhas do Louvre, porém houve uma intervenção de Rodolfo Bernadelli para dar um ar eclético, a fachada principal inspirada na Renascença Francesa com frontões, colunatas e relevos em terracota identificando as grandes civilizações da antiguidade. Laterais simples nos remetendo a renascença italiana e fachada posterior Neoclássica. O interior do prédio é rico em materiais como mármores, cristais e estátuas. As obras expostas tem importância histórica como pinturas de Debret e Victor Meireilles (Primeira Missa no Brasil), Eliseu Visconti (Gionetu), Frans Post, Portinari (Café), Tarsila Do Amaral, Pedro Américo (Batalha do Avaí) e Di Cavalcanti.

www.mnba.gov.br

Teatro Municipal - outra pérola da Cinelândia, o teatro é referência de arte clássica e foi inaugurado em 1909 sua arquitetura foi inspirada na Ópera de Paris e é quase unanime que a cópia brasileira é muito mais bonita que o original francês, o desenho arquitetônico foi fruto da junção de dois projetos, artistas de renome foram chamados para o estilo interior ao prédio, com isso podemos ver lindos afrescos de Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Além de artesãos europeus que viriam a fazer os vitrais e mosaicos.

http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/

Biblioteca Nacional - a sétima maior biblioteca do mundo, é a depositária do patrimônio documental e bibliográfico do Brasil. Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, houve o translado de um dos maiores tesouros portugueses, a Biblioteca Real. Com a independência do Brasil esse acervo português ficou entre os pontos pendentes do Acordo de Amizade entre Brasil e Portugal, até que em 1825 o Império brasileiro comprou as obras de Portugal por um valor nada simbólico (e ali nascia parte da nossa dívida externa). Em 1910 o prédio atual ficou pronto para abrigar esse importante acervo. O projeto é de Souza Aguiar em estilo eclético com traços de art nouveau, os artistas que compuseram os ornamentos são praticamente os mesmos do teatro municipal.


http://www.bn.br/portal/
 

Além das grandes jóias da Cinelândia, o Palácio Pedro Ernesto que abriga a câmara dos vereadores do Rio, o Bar Amarelinho (que segundo a lenda urbana abriga os restos mortais de D. Maria I, rainha de Portugal), o Passeio Público (primeiro do país) e o Centro Cultural da Justiça Federal compõem um giro de 360 graus na praça, que do nome de Cine, só o Odeon permanece.

Seguindo pelo Largo da Carioca temos no alto o Mosteiro de Santo Antônio com um acervo de arte sacra belíssimo, o prédio nos dá a noção das mudanças urbanísticas ocorridas na cidade, seguindo em direção a Rua Gonçalves Dias vemos um ponto de encontro da elite intelectual do país, a confeitaria Colombo, com um belo salão de espelhos, a poucos metros dali na rua Uruguaiana a Casa Cavé, em estilo francês também foi outro ponto de reunião social no início do século passado. 


 Respire fundo os ares do passado, e siga mais alguns passos da Uruguaiana para a praça Tiradentes (se for pela Rua da Carioca tem muita história por ali com o Bar Luiz, Cine Iris e Cine Ideal, todos muito afastados de um passado de glória!), chegamos então na ..

Praça Tiradentes - o antigo descampado, que abrigou tendas ciganas no século XVII, começou a ganhar brilho quando em 1769 com a construção a Igreja de Nossa Senhora da Lampadócia uma igreja pobre, pequena e construída por escravos, o lugar então continuava como uma espécie de sítio dos pobres até que no fim no século XVIII foi erguido um palacete pelo presidente do senado da época, o Solar Visconde do Rio Seco, está atualmente em reformas e será um animado centro de cultura. Foi em frente a Lampadócia que Tiradentes fez suas últimas preces no seu cortejo para a morte, o enforcamento verdadeiramente não se deu na praça mas perto dela.

Em 1808 um pelourinho foi montado no local, mas porque exatamente num lugar com raízes pobres, com o nome de praça Tiradentes tem uma belíssima estátua equestre de D. Pedro I ?  Em 1821, ainda como Príncipe Regente e num período conturbado para seu pai em Portugal, o príncipe teve que jurar fidelidade a constituição portuguesa que estava em elaboração, isso acalmaria os ânimos na corte, e o príncipe fez isso publicamente num discurso da janela do Teatro São João (hoje onde está localizado o Teatro João Caetano). Daí a praça ganhar o nome de Praça da Constituição por um período e o motivo maior da estátua em seu centro! Compõe o cenário outras belíssimas estátuas a Justiça, a Liberdade, a União e a Fidelidade. Perto da Igreja
da Lampadócia, chegamos então ao magnífico ...

Real Gabinete Português de Leitura
- o nome da rua onde se localiza é perfeito e proposital, Luiz de Camões. Foi fundada em 1837 por imigrantes que vieram com a corte em 1808. O prédio é lindíssimo e foi projetado por um arquiteto português chamado Rafael da Silva e Castro, em 1880 D. Pedro II colocou a pedra fundamental e em 1887, sua filha Isabel inaugurou a obra. O estilo arquitetônico nos remete ao gótico-renascentismo vigente na época dos grandes descobrimentos e por isso é chamado de estilo Neo manuelino (de Dom Manuel, o venturoso, lembrou do livro de história da 5a série?). Com uma fachada esculpida em Lisboa e trazida de navio, a pedra Lioz representa com suas estátuas as figuras de Pedro Álvares Cabral, Camões, o infante Dom Henrique e o VICE-rei Vasco da Gama. Tudo muito bonito e histórico, então respire fundo, feche os olhos e entre.... quando abrir os olhos o mundo parece que deu uma volta completa em menos de 24 horas!  O cenário é de uma linda estante em madeira, um candelabro e clarabóia em ferro, é a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal, detém obras raríssimas como uma edição princeps de Os Lusíadas e as Ordenações de Dom Manuel, quando foi aberto ao público era comum esbarrar por ali com Machado, Bilac e João do Rio, sorte deles !

 
http://www.realgabinete.com.br/ 

 Deu preguiça, pode caminhar mais um pouco em direção a confeitaria Manon, a torrada francesa de lá é sensacional e o ambiente não deixa de ser ... histórico! 

 Se tiver disposição não deixe de pegar o metro até o Palácio do Catete ou aproveitar a noitada  na Lapa para uma noite dos malandros ou um concerto na Sala Cecília Meireles, mas isso ... é uma outra história!

Rio é história - das invasões francesas aos governos militares o Brasil passou por aqui - Parte 2

Rio é história - das invasões francesas aos governos militares o Brasil passou por aqui - Parte 2

Começamos o dia com uma passada bem cedo na praça XV para ver a movimentação do porto que ainda recebe a massa de trabalhadores que vêm de Niterói, Ilha do Governador e Paquetá.  Fazer turismo, é antes de tudo, observar. Ver a movimentação de grandes cidades de pontos estratégico, é conseguir uma análise  do estilo de vida, do ritmo e do povo, parar uns minutos num metro de Nova York, Londres e Paris é como se pararmos no Viaduto do Chá em São Paulo ou na Praça XV no Rio. Aí é possível ver costumes e ritmos de vida bem distintos entre as cidades.
  Bem, voltando ao passeio, da praça XV, atingimos o centro financeiro do Rio vendo a Igreja do Carmo, o Palácio Tiradentes, o Paço Imperial, Museu Histórico Nacional, Palácio Capanema,  e a ABL (o Petit Trianon carioca) e fazemos uma parada, na épica Confeitaria Colombo até então atingir a Cinelândia, um lugar singular no mundo com um histórico de cinemas, o teatro municipal, museu de belas artes e a Biblioteca nacional e Passeio Público num único espaço. Seguimos ao Real Gabinete Português de Leitura, Praça Tiradentes, Rua da Carioca, Mosteiro de Santo Antônio, e vale então uma esticada pelo bairro do Catete e a volta aos Arcos da Lapa para uma Noite dos malandros na Lapa ou um concerto na Sala Cecília Meireles.

Praça XV - um porto histórico pois foi aqui que desembarcou pela primeira vez um Rei que reinaria em solo americano, é possível ver as estátuas equestres do General Osório e de D. João VI, além da do herói João Candido, o Almirante Negro, mais perto  do mar. O famoso Chafariz do Mestre Valentim de 1789 está na face oposta aos monumentos religiosos:

Igreja de Nossa Senhoa do Monte do Carmo - antiga capela imperial e sede episcopal até 1976, foi nessa Igreja que D. João VI foi sagrado Rei de Portugal, Brasil e Algarves, assim como seu filho D. Pedro I e neto D. Pedro II, foram sagrados imperadores do Brasil. Nessa igreja D. Pedro I se casou com D. Leopoldina e Pricesa Isabel casou com Conde D'eu. Nela estão parte dos restos mortais de Pedro Álvarez Cabral. Quer mais importância histórica que isso? Tudo ali no centro do Rio ... e muito carioca nem faz idéia.

Igreja da Ordem Terceira do Carmo - quase em anexo com a primeira igreja tem arquitetura lisboeta, com talha feita pelo Mestre Valentim e fachada de Pedra Lioz feita em Portugal para as igrejas mineiras, que pela falta de um transporte ideal acabou ficando no Rio, graças a isso os artesãos mineiros acabaram por descobrindo a pedra sabão que foi usada lá. Sua capela inicial data de 1589  e que foi sofrendo modificações ao longo do tempo.

Convento do Carmo  - datada de 1619 sofreou uma série de ampliações e mudanças até virar residência de D. Maria I de Portugal, Real Gabinete de Física e o depósito do Palácio. Em 1810 instalou-se temporariamente a Real Biblioteca. É interessante ver o contraste da fachada do convento com o prédio vizinho todo envidraçado.

Paço Imperial - o Palácio dos Governadores foi transformado em Paço Imperial, nele os Vice Reis, Rei de Portugal e Imperadores do Brasil despachavam e faziam, da sala do trono, a cerimônia do beija-mãos. Da sacada do Paço, D. Pedro I saldou o povo no Dia do Fico, da mesma sacada, sua neta,  a Princesa Isabel viu os festejos após ter assinado a Lei Aúrea no interior do prédio, pela sua importância, foi o primeiro prédio do Rio a ter janelas de vidro e a ser fotografado. Ao seu lado é possível ver um marco de outro momento da nossa história, o ...

Palácio Tiradentes - com a estátuda do mártir Tiradentes na porta, a antiga sede do congresso, hoje funciona como assembléia legislativa do Rio de Janeiro, foi a cadeia onde Joaquim José da Silva Xavier esteve preso até a forca na praça Tiradentes, o prédio atual foi construido em 1922 em estilo eclético. Foi sede da DIP  (departamento de propaganda política do Estado Novo). Atenção para no plenário ver a obra de Eliseu Visconti em 1926 que  representa a assinatura da primeira Constituição Republicana de 1891 e a bela cúpula do palácio (inclusive quando refletida nos prédios vizinhos). Ao lado do palácio vemos a outros nichos de história em várias épocas diferentes....


Igreja de São Jose - no local onde antes existia outra paróquia quando foi saqueada pelo pirata  francês Duguay-Truin em 1711, todos os objetos de valor artístico e histórico foram levados. A nova igreja é maior e data de 1808. Seguindo pela rua lateral (Rua da Assembléia) chegamos a Rua Dom Manuel com o Museu Naval que vale uma visita rápida e o prédio do antigo tribunal, seguimos adiante até o terminal rodoviário, no sentido do mar temos uma das cúpulas do antigo mercado municipal e onde hoje funciona o restaurante Albamar, no lado oposto (direita) o Museu da Imagem e do Som e em frente ...


Museu Histórico Nacional - belíssimo, construido no antigo Forte de São Tiago e na Prisão do Calabouço, foi aqui que o corpo de Tiradentes foi esquartejado e salgado antes de ser dependurado pela cidade. O acervo destaca diversas épocas da história do Brasil. Na saída o ideal é caminhar em direção a centenária Santa Casa de Misericórdia, a igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, é uma das mais antigas da cidade (1567) e faz parte do complexo da Santa Casa.

A demolição do Morro do Castelo, que ficava ao lado e onde ocorreu a nova fundação da cidade (após a expulsão dos franceses) foi uma ferida importante na história da cidade. Voltando à Avendia Presidente Antonio Carlos, podemos ver parte da Esplanada dos Ministérios da Era Getulista com os prédios do Ministério da Fazenda e do Trabalho, ao lado da Igreja de Santa Luzia. No quarteirão seguinte já podemos entrar a direita para ver uma cópia do Petit Trianon de Versailes, o prédio da Academia Brasileira de Letras. Seguindo a direita  voltamos pela Rua México até o majestoso ...

Palácio Capanema - o prédio abriga o ministério da educação e data da Era Vargas, o edifício é considerado um marco no estabelecimento da arquitetura moderna brasileira, tendo sido projetado por nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, com consultoria de nada menos que Le- Corbusier, conta com planta, pátio e pilotis livres, fachada de vidro, terraço jardim e quebra sol, novidades para a época. Conta com paisagismo de Roberto Burle Marx, painel de azulejos de Portinari, além disso tem painéis de esculturas de grande importância artística, precisa dizer mais ?


continua na parte 3 .....

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Roteiros do Rio - Rio de Chinelinho

O Rio do chinelinho - pra relaxar e celebrar a vida!
A cidade com seu clima jovial é um lugar ideal para descansar, deixar a vida correr enquanto se aprecia uma bela vista. Nem por isso o roteiro deixa de ser um pouco corrido mas a batida é mais leve e suave, coisa para se fazer arrastando os chinelos pelos calçadões, pisando leve e decantando os problemas.

Um dos lugares mais "cuca fresca" do Rio é Santa Teresa, clima de cidade do interior, vento fresco no meio da cidade purgatório da beleza e do caos, mas isso é um capítulo a parte, que discutiremos num futuro post.

Para começar devagar que se comece cedo com um café da manhã bem frugal.

Parque Laje - um parque com cerca de 50 hectares, construído, no início do século XIX, era uma fazenda de açúcar, encostada na Lagoa, perto do mar. Atualmente, se localiza ao lado do Jardim Botânico e aos pés do Corcovado; tem estilos de paisagismo romântico inglês e um palacete eclético inspirado em arquitetura italiana, já que um dos donos era casado com uma cantora lírica italiana que deu o enquadramento artístico a propriedade. O centro do terreno possui um pátio com piscina e tem um pórtico na fachada. Os jardins são grandiosos e inspira festas monumentais que eram feitas no terreno, isso na década de 30. Aos poucos os donos passaram por problemas financeiros, o que acabou levando o Estado a assumir o terreno, que já tinha vocação artística, daí para a criação da Escola de Artes Visuais foi um pulo. Lá se pode desfrutar de um momento de descanso e requinte, o Café do palacete oferece um bom café da manhã em meio a uma vista estonteante e a mata atlântica abundante.  Agora que o corpo já acordou  com disposição suficiente vale a pena sair do parque para visitar o vizinho..

Jardim Botânico - além de ser um ponto turístico de rara beleza, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um dos melhores do mundo. Com uma diversidade de espécies que propicia que seja também um centro de pesquisas. Lá, é possível consultar boa biblioteca, o que o torna um centro de referência em assuntos como botânica e ecologia. Do ponto de vista histórico, o espaço foi criado por decreto real em 1808 por D. João VI, o objetivo era aclimatar espécies trazidas das Índias Orientais. 
A arquitetura está presente no parque, pois o mesmo abriga a sede de um engenho datado de 1596 (hoje o centro de visitantes), além disso existe o sítio arqueológico da Casa dos Pilões e parte de uma antiga Fábrica de Pólvora um portal de Grandjean de Montingny e um aqueduto. 
Possui, pequenas pontes, grutas, mirante, parque infantil, riachos e todo um acervo de esculturas (como Eco e Narciso de 1783), fontes (como a fonte Wallace) e chafarizes (como o das Musas). Mantendo o clima  de paz e ar puro uma boa pedida é seguir o passeio pelo bairro do Jardim Botânico, ou pela Lagoa Rodrigo de Freitas (pra tomar um chopp num quiosque). Seguindo a Rua Lopes Quintas e virando a esquerda na última rua e depois da Rua Raimundo de Freitas Matos temos um largo onde é possível deixar o carro para caminhar levemente por 15 minutos e chegar a Gruta dos Macacos e em seguida a Cachoeira do mesmo nome. 

Caso essa caminhada seja muito pesada para um "dia chinelinho" tente ir de carro ao Parque da Cidade (na Gávea) à Vista Chinesa e passeie pelas Paineiras (com direito a banho de cachoeira), uma visita ao Jockey Club para uma brisa de final de tarde, um bater de pernas em Ipanema, jantar no Baixo Gávea e choppinho no Baixo Leblon. Quem disse que com chinelo não se bate perna por aí ?