domingo, 24 de junho de 2012

Lugares que me habitam - Esquimó


Não sei ao certo porque mas nada no Rio me remete mais a Nova York do que o balcão do restaurante Esquimó no centro.
O cenário norte americano começa quando contorno a esquina da Travessa do Ouvidor e vou seguindo em passos suaves como se ouvindo música... passo por livrarias charmosas e então dou de cara com Pixinguinha o nosso mestre do Jazz nacional. O cenário não é uma Nova York moderna e rica dos tempos atuais mas uma pseudo metrópole anos 60 ...70 ... que vejo nos filmes. O clima nada parecido com a estátua da liberdade que enfeia a Barra. Falo de clima, de sentido e não de ostentação. 
Logo me sinto num filme de Tarantino e então entro no Esquimó como quem entra em Taxi Driver. As porções são fartas, a gordura também avesso a isso tudo peço um frango grelhado, com farofa e fritas porque ninguém é de ferro, pra contrabalançar salada de grão de bico, tudo delicioso cai bem enquanto eu olho fascinado o movimento dos processos da cozinha, e me lembro da mesma fascinação de criança quando via a máquina que fritava batata no Mc Donalds. 
Tudo é muito coordenado, processos, ferramentas e pessoas. Não me imagino abrindo uma loja igual.. nem eu e nem o melhor dos engenheiros ou mesmo cozinheiros ... ninguém pode explicar a eficiência do Esquimó!

Meu prato chega antes que eu consiga entender a coreografia daquela cozinha. Continuo observando garçons, cozinheiros e clientes entrando e saindo. Há décadas o Esquimó continua fazendo exatamente o que faz de melhor: alimentar gente apressada sem que ela perceba que está participando de um pequeno espetáculo.

Talvez seja por isso que gosto tanto daquele balcão. Não pela comida. Pela sensação de que a vida passa por ali e de que o tempo passa, mas algumas engrenagens continuam funcionando.