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domingo, 29 de setembro de 2024

O Boom do turismo pós pandemia

 Não se sabe ao certo se o fenômeno será temporário e se isso foi motivado só pelo período em que todos ficaram trancados em casa, o fato é que as pessoas resolveram descobrir o mundo e viajar. Eu particularmente desconfio que a nova geração (influenciada pela pandemia) e com um poder aquisitivo maior, resolveu não ficar estagnada na vida, lançar ancora .... é uma geração muito mais ligada a viver a vida ao invés de conquistar bens. Querem ter o prazer de ir e vir sem se preocupar em ter o carro. 

Isso tudo motivou a milhares de turistas buscarem cada vez mais lugares remotos para procurar, é uma verdadeira invasão de turistas em cidades que não comportam tanto, e a maneira para se ter um controle maior disso é cobrando taxas pela visita, já é algo praticado na Europa e que vai aumentar cada vez mais. Dessa forma as cidades podem se preparar melhor para recebê-los sem impactar o dia a dia dos moradores. Existem cidades que recebem praticamente o dobro de sua população com turistas todo o ano, e para isso precisam investir em infra de transportes, segurança, distribuição de água, acessibilidade e etc. 

Em alguns países o crescimento gira em torno de 8% de crescimento e novas áreas de interesse turístico vem surgindo, descobrir fenômenos naturais, culturais ajudam a ampliar isso, custo menor de hospedagem com modelos como o do Airbnb e do Uber, compensam novas taxas impostas, preços altos de combustíveis aéreos que elevam o custo de transporte, para isso as viagens passaram a ter um padrão de serem mais longas em duração e mais curtas distâncias e com menos deslocamentos. 

Outro ponto que tem motivado cada vez mais as viagens são os influenciadores digitais, dando dicas valiosas e facilitando o dia a dia dos turistas, porém o turismo segue sendo raso, aquele turista que chega a um lugar, tira fotos posta, faz um check no seu plano de viagem e não incorpora muita coisa da viagem e que não entra no clima do local visitado. Falta profundidade, estudo, humildade do turista em querer entender novas culturas e as histórias locais.

Um ponto que deve ter atenção é quanto a sustentabilidade no turismo, muitos viajantes não tem consciência do impacto ambiental de suas jornadas. A crise climática pode inviabilizar alguns destinos, seja por períodos de seca ou tempestades, há quem diga que o terceiro setor não polua como a indústria, mas desde o deslocamento, até a produção de lixo ... tudo isso gera um impacto ambiental que muitos lugares não estão preparados para absorver. Destinos que estejam pensando nisso adotando práticas mais conscientes e sustentáveis atrairão mais visitantes e dentro dessa preocupação existe a de limitação de visitantes. É um turismo mais ético, responsável e respeitoso. Isso requer inovação aos novos desafios, muito mais que reinventar destinos, o que se busca é equilíbrio e para isso há de se contar com iniciativa privada, governos e a consciencia de cada turista.


sábado, 17 de agosto de 2013

Viver na bela caminhada

Quero tirar o peso das minhas costas
Quero levar pouca coisa na empreitada
Trazer muita coisa da caminhada
Quero viajar sem pressa
Seguir leve pela vida
Fazer cumprir toda a promessa
Quero dar mais vida a minha ida
Ter mais encanto à minha volta
E dar valor ao que interessa

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Viajar para marcar território fotografar para esquecer do tempo.

Uma das coisas mais marcantes dos tempos modernos é que o poder aquisitivo das classes médias e altas tem aumentado de forma consistente, a reboque disso tudo aumenta-se o poder aquisitivo e a terrível ambição por status, viajar é bom e provavelmente se você veio a este site é porque gosta de fazer isso, sim tem gente que gosta, mas há que se respeitar aqueles que não gostam de deixar o seu lar. (meu pai costumava dizer que Parati era um lugar horrível, cheia de prédios velhos, é a opinião dele!). Aqueles que autenticamente são caseiros e não se envolvem na moda de dizer que se vive para viajar podem viajar num livro, ou não gostar de aventura ou sei lá, se sentem felizes e realizados em casa. Existem viagens legais, pessoas que sabem o que conhecer, existem as outras que marcam ponto num lugar, só pra dizer que já foi, só pelo status de se dizer viajante. Existem os viajantes de aeroporto ou o de hotéis 5 estrelas, existe espaço para todos.

Mas para mim, viajar é viver toda a experiência, curtir cada momento pensando que não esta em sua casa. Desde o momento em que se decide pela viagem, até a última foto arrumada no 
álbum. Opa, não tem mais álbum de foto? Ah mas com certeza você arruma as fotos que tirou, revê momentos marcantes dos lugares onde esteve ... não ? Hum estranho, porque tirou tantas fotos então ? Não vê as fotos do casamento nem a filmagem do nascimento dos filhos e dos exames de pré-natal?

Isso porque ocorre um outro fenômeno com o advento da fotografia digital, que é o imediatismo da foto,vivenciar, por meio da foto, a experiência do presente, ainda no presente. A nova curtição da foto é ser postada numa rede social para o imediato comentário dos amigos. 

Porque tanta gente se acotovela para tirar uma foto da conhecidíssima Mona Lisa no Louvre. Toda a foto tirada naquele tumulto fica mal tirada e é uma foto completamente desnecessária pois você a encontra em qualquer lugar, mas aquela foto marca um território para você poder dizer ... eu estive em Paris, eu vi um quadro pequenininho, feio, mas intrigante e famoso, não sei nada dele mas estive lá. 

Clicar uma foto passou a ser compulsão, tem criança em teatro infantil mais preocupada em tirar uma foto que nunca vai ver do que em vivenciar a história que é contada, a compulsão virou falta de respeito, as vezes cansa você não poder tocar no copo para beber porque a foto do mesmo tem que ir imediatamente para o Instagram

Existe muito narcisismo barato nessa tônica, são milhares de fotógrafos amadores que ao invés de pensar em luz, ângulos, tiram uma foto com boa sorte e bom gosto e que aí pensam que são tão bons quantos os profissionais que escrevem uma história com a luz e que criam obras de arte com ângulos imperfeitos. Existem aqueles que querem ser parte da paisagem, veja bem nada de errado e crítico nessa nova forma de se viver, estamos todos virando meio japoneses que nas suas férias viajam o mundo fotografando tudo e todos, para vivenciar o momento depois quando for ver a foto. O meu maior questionamento é que dificilmente vejo as pessoas apreciando suas milhares de fotos e revivendo aquele momento, que se passou

 O fenômeno de quantidade de registros também é algo novo e passível de crítica pois a quantidade excessiva de imagens banaliza o cenário e anula qualquer coisa na nossa memória, quanto mais fotos, menos sentidos elas fazem. É fácil perceber isso quando puxamos da memória aquele momento do passado em que registramos numa máquina de filme uma determinada coisa, lembrou ? Sim né ! Agora tente lembra de uma foto específica que você tirou na semana passada com o seu celular ... esqueceu né? Ao passo que se fotografava no passado para guardar uma lembrança, hoje se fotografa para se habilitar um esquecimento.

domingo, 2 de outubro de 2011

Porque escrever esse blog ?

Existem muitas pessoas que precisam de um guia para fazer o Caminho de Santiago de Compostela, para isso que comprem um guia com fotos e mapas. 

Meu intuito aqui é servir de referência e incentivo, não para fazer a caminhada, mas a se movimentar, a sair do lugar e buscar a sua própria energia, felicidade, ou o nome que queira dar. Se encontrar em si mesmo talvez seja a ideia que quero buscar aqui. Há quem diga que quando viajamos, estamos em busca de algo dentro de nós mesmos.

Escrevo para que eu possa depois ler e refletir sobre a minha caminhada. Nesse momento, abrir um blog é apenas um ponto do meu projeto (que nem deveria ser chamado de projeto pois não tem ainda datas de início e fim), projeto esse que eu nem sei se vou concluir. O fato é, que desde muito tempo, venho tentando me descobrir e fui atraído pelas histórias do Caminho de Santiago de Compostela, resolvi seguir esse caminho e deixar registrado todos os passos importantes para chegar ao fim com segurança, quero registrar todas as emoções que me fizeram decidir ir e obviamente não vou me furtar de colocar aqui algumas dicas de ordem prática que podem ajudar na logística da caminhada. 

Isso pode me ajudar até para usar de referência durante a viagem.

Quem sou eu?

Meu nome é Fabio Carneiro Teixeira Trino.


Nasci em 1974, sou carioca, pai, marido e analista de sistemas por formação. Mas, se existe algo que me define melhor do que minha profissão, talvez seja a curiosidade.

Sempre gostei de conhecer lugares, ouvir histórias e entender como as pessoas vivem, pensam e enxergam o mundo. Com o tempo descobri que viajar não era apenas mudar de lugar. Era uma forma de me conhecer melhor.

Foi dessa inquietação que nasceu o "Me Encontrando no Caminho".

Este não é um blog de turismo. Você não encontrará apenas dicas de viagem ou roteiros. Aqui, os lugares servem de cenário para algo maior: memórias, reflexões, encontros, histórias e perguntas que surgem pelo caminho.

Também gosto de escrever. Às vezes as palavras simplesmente aparecem, sem pedir licença. Escrever se tornou uma forma de registrar experiências, organizar pensamentos e preservar emoções que talvez se perdessem com o tempo.

Tenho um objetivo importante pela frente: percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Mas, para ser sincero, acredito que a jornada já começou muito antes do meu primeiro passo na caminhada. Ela acontece toda vez que um lugar me faz refletir sobre quem fui, quem sou e quem ainda posso me tornar.

Em teoria não existe razão específica para ir ou chegar, mas muitas pessoas conseguem refletir sobre suas vidas no caminho. Talvez os textos deste blog falem mais sobre mim do que esta apresentação. E talvez falem também um pouco sobre você.

Seja bem-vindo à caminhada e que os poucos registros lhe sejam úteis.