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domingo, 16 de agosto de 2026

Caminho de Santiago - Quando nasceu o Caminho

Quando nasceu o Caminho de Santiago

Como a descoberta de um pequeno túmulo na Galícia deu origem a uma das maiores peregrinações da humanidade.


"Ir, todo mundo vai. Chegar, só chega quem se sente atraído" - Frei Cláudio Van Balen


Apesar das divergências em relação às datas, a tradição situa por volta do ano 813 da era cristã a descoberta, na Galícia, de um túmulo atribuído ao apóstolo Tiago. A Península Ibérica vivia então um período conflituoso. A maior parte de seu território encontrava-se sob o domínio do Emirado de Córdoba, enquanto pequenos reinos cristãos resistiam ao norte, entre eles o Reino das Astúrias, governado por Afonso II, o Casto.

A Galícia fazia parte desse reino cristão. Era uma região rural, periférica e relativamente próxima das fronteiras que separavam os territórios cristãos do mundo islâmico. Segundo a tradição, o eremita Pelayo teria observado luzes misteriosas sobre um antigo cemitério. Ele comunicou o fenômeno a Teodomiro, bispo de Iria Flávia, que reconheceu no túmulo ali encontrado os restos mortais do apóstolo Santiago.

Afonso II teria então viajado de Oviedo até o local e ordenado a construção de uma pequena igreja. Por esse motivo, é frequentemente considerado o primeiro peregrino, e o percurso que teria realizado tornou-se conhecido como Caminho Primitivo.

Nos séculos seguintes, o lugar transformou-se gradualmente em um dos mais importantes centros de peregrinação da cristandade. Santos, reis, nobres, religiosos e pessoas comuns percorreram a pé as trilhas do norte da Península Ibérica em busca de perdão, cura, penitência, iluminação ou simplesmente de um encontro com o desconhecido. Formava-se, assim, aquilo que ficaria conhecido como Caminho de Santiago de Compostela: uma experiência religiosa que, vista à distância, também conserva algo de misterioso, simbólico, e quase mágico.

Existem, entretanto, ressalvas históricas importantes. O ano de 813 pertence principalmente à tradição, pois a descoberta provavelmente ocorreu entre 820 e 830. Ainda assim, 813 consolidou-se como a data simbólica do acontecimento. Ainda em relação à tradição diz que o nome Compostela deriva de Campus Stellae ("Campo da Estrela"), associado às luzes vistas por Pelayo. Mesmo que essa etimologia seja discutida pelos historiadores, ela faz parte do imaginário do Caminho. É um título bonito e cheio de simbolismo.

Naquele período, Carlos Magno ainda governava o poderoso Império Carolíngio, que abrangia grande parte dos territórios que hoje correspondem à França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Suíça e norte da Itália. Em setembro de 813, percebendo a proximidade do fim de sua vida, coroou seu filho Luís, o Piedoso, como coimperador. Carlos Magno morreria poucos meses depois, em janeiro de 814.

A Europa ainda não existia como o conjunto de países que conhecemos hoje. O poder encontrava-se distribuído entre reis, nobres, bispos e mosteiros. Era a Alta Idade Média, e a Igreja constituía uma das poucas instituições capazes de atravessar fronteiras, conservar livros e transmitir notícias e conhecimentos.

Enquanto isso, o mundo islâmico abrigava algumas das civilizações mais avançadas e poderosas daquele tempo. Bagdá era um extraordinário centro político, comercial e intelectual. O mundo de 813, portanto, era mais conectado do que normalmente imaginamos, embora suas comunicações fossem lentas e predominantemente regionais.

Naquele cenário, a descoberta atribuída a Pelayo e Teodomiro, em um canto afastado da Galícia, provavelmente pareceu insignificante diante do poder de Carlos Magno e da grandeza de Bagdá. Contudo, aquele pequeno acontecimento — histórico, lendário ou uma combinação de ambos — acabaria dando origem a uma das maiores rotas espirituais e culturais da humanidade. Místicos, Santos, Imperadores, se uniram a pessoas comuns que buscavam iluminação, sonhos, pessoas que dentro das inquietudes da vida, procuravam desde aventuras e encontravam amigos, preenchimento de vazios psicológicos encontrando a si mesmos na solidão dos prados.



sábado, 15 de agosto de 2026

Caminho de Santiago - Quando resolvi ir

Eu estava numa cama, com medo do mundo e sofrendo uma leve depressão em função do estresse. Precisava encontrar alguma coisa que me motivasse a continuar vivendo.

Tinha dois filhos pequenos, uma vida amorosa ruindo e uma vida profissional que fazia dezenas de pessoas dependerem de mim. E eu estava ali, parado, sem conseguir tomar decisões e muito menos reagir.

Até que, um dia, indo numa terapeuta em Copacabana, encontrei meu pai na rua há quilômetros das nossas casas, falei dos problemas e em determinado momento, ele me disse algo em pouquíssimas palavras mais ou menos assim:

“Meu filho, você precisa ter coragem e reagir.”

Só isso, mas marcou um longo período da minha vida.

Era algo que eu já sabia que precisava fazer, mas para o qual, naquele momento, não encontrava forças.

Decidi então colocar em prática um projeto: voltar a sonhar com alguma coisa. Ter uma meta para seguir.

Precisava de um objetivo que me mantivesse ocupado com planos, estudos e sonhos. Algo que não tivesse necessariamente sua recompensa apenas no final, mas que pudesse me fazer bem durante todo o percurso.

O Caminho de Santiago apareceu como esse projeto.

Naquele momento, Santiago não era apenas uma cidade distante na Espanha. Era um ponto no horizonte que poderia me ajudar a levantar.

E foi assim que, ainda naquela cama, comecei minha caminhada.

Tive a sensação de que o Caminho começava exatamente naquele instante. Fui tomado por uma vontade enorme de levantar, treinar, estudar, planejar, sonhar.

Era exatamente o apoio de que eu precisava.

O curioso é que os anos seguintes também acabaram se transformando numa espécie de caminhada. Vieram percalços, momentos em que precisei reagir e me levantar, situações em que faltou força de vontade e outras em que tive medo de seguir mesmo sabendo que precisava continuar.

Santiago continuava distante, diversas vezes o plano foi engavetado frente as prioridades da vida mas o Caminho, de alguma forma, já estava acontecendo.

Anos depois, em 2013, vivi no Rio de Janeiro uma experiência que voltou a despertar esse sentimento. Durante a Jornada Mundial da Juventude, vi milhões de pessoas ocupando as ruas com mochilas nas costas, caminhando, cantando, enfrentando cansaço, chuva, deslocamentos e uma cidade que para muitas delas era completamente desconhecida.

Independentemente da dimensão católica daquele encontro, algo naquela imagem me tocou.

Vi pessoas vindas de lugares diferentes compartilhando dificuldades, caminhando juntas e seguindo em direção a um objetivo comum.

Pela primeira vez consegui imaginar um pouco melhor o que poderia significar peregrinar.

Ainda não estava em Saint-Jean-Pied-de-Port, Pamplona, Burgos ou León.

Estava no Rio de Janeiro.

Mas, de alguma maneira, eu já estava no Caminho.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Barcelona

Madrid é uma cidade linda, não sei exatamente porque não me tocou com sua ostentação real, o clima Catalão me pareceu mais acolhedor, a ponto de apontar como uma cidade que eu moraria. O povo do mundo se encontra em Barcelona assim como em NY, Paris, Londres, não senti o mesmo em Madrid, isso posto ... não perca tempo e vá visitar logo La Sagrada Familia! (compre os bilhetes com hora marcada pela internet, isso é imprescindível, conheço várias pessoas que só viram a basílica do lado de fora e acharam o máximo kkkk! Não viram nada!! Ah teve uma que não entrou porque achou que a Catedral ainda estava em obra! Sim, ela ainda está em obras tinha previsão de ficar pronta em 2025 mas possivelmente vai atrasar depois da crise que assolou a Espanha, pouco importa entrar nela é uma ode a genialidade humana, vá ! Com certeza nunca viu e nunca verá nada igual!  Nem vou perder muito tempo escrevendo o que você vai sentir lá dentro, não leia ... sinta ! Aprecie !!! Reserve umas 4 horas para a Catedral para poder observar cada detalhe (são milhares). Aproveite o embalo para seguir conhecendo a alma de Gaudí, um passeio a pé pela Avenida Passeig de Gracia o levará para a Casa Batló, Le Pedrera e outras tantas no mesmo estilo, mas não perca muito tempo para conseguir visitar o belíssimo parque Guell.

A cidade é enorme e muitos são tentado a pegar aqueles ônibus turísticos, eu particularmente detesto, gosto de pé no chão, mapa na mão e ir  me sentindo um cidadão local nos metros cheios. Dessa forma recomendo fortemente bicicleta pelo centro histórico (catedral de Barcelona, bairro gótico, Raval, El Borne). Deixe para a noite para ir na Plaza Cataluña, no marcado La Boqueria e Las Ramblas caminhando até o mirador Colombo (ah está numa cidade grande cheia de batedores de carteira !). 

Tire um domingo a noite para um passeio imperdível no Palácio do Montjuic, o morro tem uma das fortalezas da cidade e a noite de domingo ocorre um festival de águas dançantes gratuito que é belíssimo e imperdível ... não estará num domingo a noite em Barcelona ?? Pois é ... mude sua programação de viagem e vá !

No dia seguinte caminhe um pouco pelo Montjuic, visitando sua fortaleza, o parque olímpico, o Parque da Cidadela (interessantíssimo com réplicas dos maiores monumentos da Espanha), o museu Miró, em seguida pegue um bonde que o levará ao porto e a Barceloneta, aí é hora usar a bicicleta pois o passeio é delicioso.

O Camp Nou é fantástico e merece a visita, assim como Santiago Bernabeu em Madrid (sem clubismo). Sempre gosto de ir nos museus de ciências ao estilo Citte De Las Sciences em Paris ou o Cosmocaixa em Barcelona, porém não fui, mas parece ser interessante. Optei por fazer um off Barcelona e acho que escolhi certo ....  Montserrat !! Certa vez Napoleão Bonaparte, numa de suas artimanhas decidiu atravessar os Pirineus com suas tropas, como era noite e todos sofriam com o frio intenso nas montanhas ele decidiu "pedir" abrigo num mosteiro beneditino que ali havia, no dia seguinte mandou matar todos os frades e queimou o mosteiro, parece que a estadia não foi tão boa (nem pra ele e nem para os frades). Além dessa história medonha o Mosteiro de Montserrat parece cenário de filme (na verdade é ... pois foi lá que filmaram o sensacional "O Nome da Rosa"). 

O bate e volta é completamente viável pois o mosteiro fica na cidade de Monistrol de Montserrat a 60Km de Barcelona, na estação Catalunha pegue um trem até Monistrol, bilhete tem que ser combinado com o teleférico que o levará ao mosteiro (existe a opção de subir de cremallera, o ideal é subir em um e descer pelo outro, ambos sensacionais!).  Quando se chega lá em cima a tendência é entrar no museu para ver Monet, Caravaggio, Picasso e a bela imagem do século XII de Nossa Senhora do Montserrat, a padroeira da Catalunha, acontece que o maciço de pedra que abriga o mosteiro é uma belíssima escultura da natureza. Então opte por fazer algumas trilhas rápidas (inclusive parte do Caminho Catalão para Santiago de Compostela), só em seguida entre no museu (sempre de olho no horário do retorno!!).

Zaragosa

O clima em boa parte da Espanha é continental com invernos rigorosos, e verões quentes, mas diferentemente do Brasil o clima lá é seco. É possível perceber bem isso no trem bala que liga Madrid a Barcelona e no meio do nada surge uma cidade exuberante, quente e nas margens do rio Ebro, por isso foi um ponto estratégico para a jornada romana em direção a Gália. aproveite para apreciar o rio e sua linda ponte de pedra (construída em ... 1140!!!!).






O nome se origina do governador romano Cesar Augusta, mais tarde, quando da invasão muçulmana na região  o local ficou conhecido como Zaragusta ... e daí Zaragoza! O povoado ocupado pelos Romanos se tornou um importante centro comercial bem no centro da Espanha, a cidade é grande e existem focos da era romana, medieval e árabe. A parada na viagem estrategicamente pode ser feita em um dia (apesar da cidade merecer mais do que isso!). Para o trajeto entre Madrid e Barcelona o ideal é pegar um Trem AVE em Madrid às 8:15, chegando 9:33 em Zaragoza e depois às 18:55 seguir viagem em direção ao desembarque as 20:48 Barcelona . Deixe o bilhete da viagem já esquematizado pela internet, porém não é difícil comprar as passagens na hora.





De cara vá ao grande teatro romano e nas Thermas Romanas, em seguida vá para uma jóia da arte moura, o palácio de La Aljafería que foi construído durante o período de ocupação muçulmana na região, se pensa que foi o ponto alto da cidade, siga em frente para La Seo (ignorando o que impressionar pelo caminho !!! Teremos uma hora melhor para ver tudo), La Seo é uma obra prima da arte mudéjar (muçulmanos convertidos aos catolicismo), a primeira catedral cristã da cidade, erguida no mesmo lugar do templo do foro romano de Caesaragusta e depois pela mesquita muçulmana, a mistura de estilos impressiona saindo da arquitetura romana até o neoclássico, passando pelo gótico, renascentista e barroco. 















Daí vá tomar um ar passeando pelo Casco Viejo, na parte antiga da cidade é possível ver as muralhas romanas, o Torreón de la Zuda, o mercado central (ideal para tomar um refresco e comer uma fruta), a plaza San Felipe e a Torre Magdalena, não deixe de ir no Museo de los Faroles y Rosario de Cristal que é bem interessante e no belo Museu de arte Camón Aznar, com muita coisa de Goya. Enfim vá a Plaza del Pilar, independente de sua religião, antes de entrar na basílica faça uma prece e de respeito aos séculos de história, ao legado de fé, você estará entrando no endereço mais querido dos zaragozanos numa das praças mais bonitas da Europa, um ponto importante para cristãos, um dos templos marianos mais importantes do mundo. Dizem que aqui, no ano 40, a Virgem Maria apareceu para o apóstolo Santiado e lhe entregou uma coluna de jaspe (o "pilar") para que sobre ele fosse erguido um templo, daí o nome da basílica!! O tal pilar pode ser visto no seu interior sustentando a imagem da Virgem. 

















Por fim ... vá entender porque eu que não sou católico entrei na Igreja de São Miguel Arcanjo e comecei a chorar lá dentro ?!? A capela é pequena mas linda ... tudo bem, meu filho se chama Miguel Arcanjo mas acho que vale a pena conferir, não vai levar mais que 5 minutos, a não ser que você resolva chorar também!

Bem ... agora vá para Barcelona !!

Ah ... durante a viagem procure ler sobre Agustina de Aragão afinal Zaragoza ainda estará impregnando sua alma e até agora eu nem falei no cerco de Zaragoza imposto por Napoleão ... pois é a cidade tem história!  

domingo, 2 de outubro de 2011

Caminho de Santiago - O início do início

Não sei qual foi a minha primeira referência ao assunto. Meu irmão fez um trecho há algum tempo. Em 2002, li um livro que despertou ainda mais meu interesse, mas a certeza de que eu realmente faria o Caminho veio durante uma crise de depressão, em 2009, quando decidi que, para viver, precisava ter objetivos palpáveis que me motivassem.

Foi dessa forma que comecei a viagem, pois acredito que decidir ir já é o começo da jornada.

Muito antes de começar a caminhada, é preciso todo um planejamento logístico, físico e espiritual para aproveitar tudo o que o Caminho pode me dar. Mesmo sendo perfeccionista, sei que meu planejamento será vulnerável e que muita coisa não acontecerá exatamente como imaginei.

Comecei minhas pesquisas a partir da criação deste blog, embora já tenha tido outras iniciativas antes: ler um pouco, procurar bibliografias, olhar mapas, visitar algumas cidades, rezar, emagrecer, analisar roupas e equipamentos adequados, aprimorar meu espanhol, fortalecer alguns músculos e aprender a cuidar melhor do meu corpo...

Nooossaaa, quanta coisa!

E olha que isso é só o início. Ainda tenho muito a fazer antes mesmo de colocar os pés na estrada.

Para fazer o Caminho é preciso preparar várias coisas e tenho certeza de que, no final, vou descobrir que muito do que fiz ou planejei estava errado, foi excessivo ou simplesmente desnecessário. Sei também que descobrirei coisas que deveria ter feito e não fiz.

Faz parte.

É preciso pensar em equipamentos, mapas, roupas e tantas outras coisas. Mas também é bom lembrar que essa é uma caminhada secular. Durante séculos, peregrinos percorreram essas estradas sem equipamentos tecnológicos, aplicativos, GPS ou roupas especialmente desenvolvidas para longas caminhadas. Seguiam outros peregrinos, procuravam abrigo, carregavam o necessário e enfrentavam as condições que encontravam pela frente. E que ainda hoje, existe muita humanidade e cooperação pelo caminho.

Eu, entretanto, não pretendo deixar minha vida por lá por falta de preparo.

A peregrinação exige do corpo e da mente. Acredito que grandes transformações possam acontecer durante a caminhada, mas também sei que não devemos romantizar suas dificuldades. O Caminho sempre apresentou riscos e desconfortos. Calor, frio, exaustão, acidentes, cães soltos, ladrões e outros perigos fazem parte de sua história. Hoje, felizmente, muitos desses riscos foram reduzidos pela tecnologia, pela medicina e pela infraestrutura disponível aos peregrinos. E desistir no meio não é uma decisão que nenhum peregrino quer tomar mas ter a humildade de aceitar as adversidades é tão nobre quanto completar o caminho. O que mais se vê no caminho para o Everest são cadáveres de pessoas altamente motivadas..

Ainda assim, existe algo na própria dificuldade de caminhar que me atrai.

Se estou me dispondo a percorrer uma rota histórica, quero experimentar pelo menos parte daquilo que a tornou tão especial. Quero sentir a distância entre uma cidade e outra. Quero perceber a mudança da paisagem. O ritmo ... Quero acordar sabendo que meus pés serão novamente o meu principal meio de transporte.

Não acredito que seja necessário sofrer para compreender o Caminho. Muito menos colocar a saúde em risco.

Mas também não quero simplesmente chegar a Santiago.

Quero caminhar até lá.

Porque escrever esse blog ?

Existem muitas pessoas que precisam de um guia para fazer o Caminho de Santiago de Compostela, para isso que comprem um guia com fotos e mapas. 

Meu intuito aqui é servir de referência e incentivo, não para fazer a caminhada, mas a se movimentar, a sair do lugar e buscar a sua própria energia, felicidade, ou o nome que queira dar. Se encontrar em si mesmo talvez seja a ideia que quero buscar aqui. Há quem diga que quando viajamos, estamos em busca de algo dentro de nós mesmos.

Escrevo para que eu possa depois ler e refletir sobre a minha caminhada. Nesse momento, abrir um blog é apenas um ponto do meu projeto (que nem deveria ser chamado de projeto pois não tem ainda datas de início e fim), projeto esse que eu nem sei se vou concluir. O fato é, que desde muito tempo, venho tentando me descobrir e fui atraído pelas histórias do Caminho de Santiago de Compostela, resolvi seguir esse caminho e deixar registrado todos os passos importantes para chegar ao fim com segurança, quero registrar todas as emoções que me fizeram decidir ir e obviamente não vou me furtar de colocar aqui algumas dicas de ordem prática que podem ajudar na logística da caminhada. 

Isso pode me ajudar até para usar de referência durante a viagem.

Quem sou eu?

Meu nome é Fabio Carneiro Teixeira Trino.


Nasci em 1974, sou carioca, pai, marido e analista de sistemas por formação. Mas, se existe algo que me define melhor do que minha profissão, talvez seja a curiosidade.

Sempre gostei de conhecer lugares, ouvir histórias e entender como as pessoas vivem, pensam e enxergam o mundo. Com o tempo descobri que viajar não era apenas mudar de lugar. Era uma forma de me conhecer melhor.

Foi dessa inquietação que nasceu o "Me Encontrando no Caminho".

Este não é um blog de turismo. Você não encontrará apenas dicas de viagem ou roteiros. Aqui, os lugares servem de cenário para algo maior: memórias, reflexões, encontros, histórias e perguntas que surgem pelo caminho.

Também gosto de escrever. Às vezes as palavras simplesmente aparecem, sem pedir licença. Escrever se tornou uma forma de registrar experiências, organizar pensamentos e preservar emoções que talvez se perdessem com o tempo.

Tenho um objetivo importante pela frente: percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Mas, para ser sincero, acredito que a jornada já começou muito antes do meu primeiro passo na caminhada. Ela acontece toda vez que um lugar me faz refletir sobre quem fui, quem sou e quem ainda posso me tornar.

Em teoria não existe razão específica para ir ou chegar, mas muitas pessoas conseguem refletir sobre suas vidas no caminho. Talvez os textos deste blog falem mais sobre mim do que esta apresentação. E talvez falem também um pouco sobre você.

Seja bem-vindo à caminhada e que os poucos registros lhe sejam úteis.