Meu roteiro pela Europa Central
Sempre que conto essa viagem, alguém me pergunta como foi meu roteiro pelo "Leste Europeu". E eu sempre faço a mesma observação: até hoje, conheci muito mais da Europa Central do que propriamente do Leste Europeu.
É verdade que a divisão geográfica nem sempre é consenso, mas países como Belarus, Bulgária, Moldávia, Romênia, Rússia e Ucrânia ainda continuam na minha lista de desejos — e, principalmente, um pouco distantes do meu bolso.Lá sim é o Leste Europeu, apesar de ter passado pela Eslováqui, Chéquia e Hungria eu fiquei muito mais pela europa central.
Meu roteiro começou na belíssima Hungria, passou pela Áustria, seguiu para a Eslováquia, entrou na Chéquia, cruzou a Alemanha e terminou com uma rápida passagem pela Holanda.
Foram muitos países, muitas cidades, uma logística bastante apertada e inúmeras viagens de trem, ônibus e carro. Hoje, olhando para trás, faria poucas alterações. Talvez mudasse a ordem de algumas etapas, mas dificilmente deixaria alguma cidade de fora.
Optei por voar pela Air France, aproveitando uma conexão mais longa em Paris para passear algumas horas pelo centro da cidade. Sempre digo que, se houver oportunidade, vale a pena transformar uma simples escala em um pequeno bônus da viagem. O mesmo raciocínio vale para Lisboa, Madri, Roma, Frankfurt ou Amsterdã.
Meu ponto de partida foi Budapeste, onde permaneci três dias inteiros divididos entre Buda e Peste. Dali, um confortável trem de pouco mais de duas horas e meia levou-me até Viena, outra cidade que merece, no mínimo, três dias completos.
Seguindo o curso do Danúbio, fui para Bratislava. Muita gente faz um bate-volta saindo de Viena, mas essa nunca foi minha forma de viajar. Gosto de dormir nas cidades, caminhar à noite, observar o ritmo local e sentir quando os turistas vão embora. É nesse momento que, para mim, uma cidade realmente começa a se revelar.
De Bratislava, segui de ônibus até Český Krumlov, uma pequena joia barroca que parece saída de um conto de fadas. Mais uma vez, preferi passar a noite por lá em vez de fazer apenas uma visita rápida.
Depois vieram quatro dias em Praga, cidade que considero uma das mais fascinantes da Europa.
Ao invés de seguir diretamente para a Polônia, resolvi fazer um desvio até Dresden, conhecida como a "Florença do Elba". Depois de conhecer sua história de destruição e reconstrução, a cidade ganhou um significado muito maior do que sua beleza arquitetônica já sugeria.
Em seguida, cheguei a Munique justamente durante a Oktoberfest. A cidade estava lotada, os hotéis caríssimos e o orçamento de "apenas um rapaz latino-americano" começou a reclamar. Resolvi então alugar um carro e seguir para Salzburgo, retornando novamente à Áustria.
De Salzburgo fiz um dos passeios mais bonitos de toda a viagem: Hallstatt. Poucos lugares conseguem reunir tanta beleza em um espaço tão pequeno.
Depois voltei para Munique e iniciei a etapa mais pessoal do roteiro. Passei por Stuttgart, mas meu verdadeiro destino era Karlsruhe, onde fui visitar meu filho. Aproveitei também para fazer bate-voltas até Baden-Baden e Heidelberg, duas cidades que recomendo fortemente.
Na volta, segui de trem até Frankfurt, de onde embarquei para uma última parada em Amsterdã antes do retorno ao Brasil.
Foi uma viagem longa, intensa e cansativa.
Mas olhando hoje para o mapa, percebo que o verdadeiro roteiro não foi desenhado pelos trilhos ou pelas estradas.
Foi desenhado pelas histórias que cada um desses lugares cheios de beleza.
Resumo do roteiro
| Cidade | País | Nº de noites |
|---|---|---|
| Paris (escala) | França | 0 |
| Budapeste | Hungria | 3 |
| Viena | Áustria | 3 |
| Bratislava | Eslováquia | 1 |
| Český Krumlov | Chéquia | 1 |
| Praga | Chéquia | 4 |
| Dresden | Alemanha | 2 |
| Munique | Alemanha | 1 |
| Salzburgo | Áustria | 2 |
| Hallstatt (bate-volta) | Áustria | 0 |
| Munique (retorno) | Alemanha | 0 |
| Karlsruhe | Alemanha | 2 (estimado, incluindo os bate-voltas) |
| Baden-Baden (bate-volta) | Alemanha | 0 |
| Heidelberg (bate-volta) | Alemanha | 0 |
| Frankfurt (apenas embarque) | Alemanha | 0 |
| Amsterdã | Holanda | 1 |
Eu sempre acho que é importante contextualizar historicamente os locais que viajo para entender por exemplo porque uma igreja é tão rica na Baviera, ou porque as igrejas de Portugal a partir de 1760 já não são tão ornadas em ouro. Porque as manchas negras nas pedras dos monumentos de Dresden. Por isso acabo escrevendo mais do que um simples roteiro, se quiser me siga na continuação dessa série..
https://encontrandonocaminho.blogspot.com/2025/10/a-rica-historia-da-hungria.html
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